Artigo Jaqueline Weigel, W Futurismo e Casa21 na Gazeta do Sul, 12 de dezembro de 2023. 

Entre os temas mais recorrentes do ano desde que voltei, ouço constantes reclamações sobre a mentalidade de nossa região, quase sempre em um tom azedo ou desanimador. Uma cidade ótima para se morar, mas nem tão boa para se fazer negócios, trazer novos conceitos ou inovar.  A tradição cristalizada, a resistência e a cultura fechada de nosso ecossistema não são uma novidade, nem um atributo.

A pujança e o desenvolvimento ainda são regados a baixa ousadia, o que é incongruente para uma região que deseja se destacar das demais no estado no presente e no futuro. A medida da riqueza hoje é outra em todos os cantos do mundo.

Nosso povo é trabalhador, sério, engajado e esforçado, mas pouco colaborativo. Por muito tempo, nos achamos superiores aos demais brasileiros, talvez pela colonização europeia, o que é um bom atributo, mas insuficiente e irrelevante hoje para nos colocar no topo perante a transformação do mundo.

Em contato com as iniciativas de inovação locais, descobri um baixo grau de maturidade do nosso ecossistema perante o estado e o país. Nosso nível de preparo para a transformação do mercado de trabalho e negócios do Século 21 está muito aquém do que poderia ser, e nos atrasa como sociedade.

A região parece continuar abraçada no que é hoje, ou no que foi nas últimas décadas, e pode não estar compreendendo o tamanho das mudanças do mundo. Nossa “bolha” pode nos fazer acreditar que as coisas continuarão como são, ou que mudará pouco, o que traz conforto para muitos e representa um perigo para as gerações futuras.

Conheci muita gente preparada e ousada, querendo transformar o status quo e levar nosso município para outro patamar. Também descobri que as iniciativas ainda são muito desintegradas de uma boa estratégia. Competem em vez de colaborar, e o empresariado local, pouco inteirados com os novos modelos de negócio do mercado, colabora e apoia de forma insuficiente, o que causa cansaço e vontade de desistir em quem está disposto a criar o novo. E neste assunto, a desculpa é sempre a mesma: a mentalidade de nossa região: passiva.

A inovação precisa de um objetivo comum e de estratégias plurais. Uma visão de futuro alinhada, com a conexão entre todas as partes trará potência para colocar nossa cidade como cidade modelo de inovação da década. Temos pensar juntos e engajar a sociedade e as empresas em esforços extraordinários.  Só assim deixaremos um legado decente para nossos sucessores.

As cidades que crescem precisam mobilidade e sustentabilidade. Empresas que poluem, sonegam, exploram, colonizam não tem mais muito tempo de existência na sociedade moderna. Alguns produtos terão que mudar sua forma de existir no mundo, ou o mundo os extinguirá nas próximas décadas.

ESG, mundo digital, diversidade, inclusão, estratégia de futuro e planos táticos para que o presente nos leve a nosso futuro coletivo desejado são nossos grandes desafios nesta virada de ano.

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