Jaqueline Weigel para jornal Gazeta do Sul, 03 de outubro de 2022. 

Somos seres tribais, e a cultura de um povo leva décadas para ser criada, e outras tantas décadas para ser adaptada.O Século 20 terminou abrindo caminho para novas inteligências, a adaptativa por exemplo, que nos ajuda a mudar de forma ágil perante as novas demandas do mundo.

Ser inteligente sempre foi para poucos, mas ser educado ética e socialmente deveria ser algo óbvio a todos, independente de raça, cor, sexo ou classe social. Parece que quanto mais intelectualizados ficamos, mais arrogantes nos tornamos em nosso jeito de viver e conviver.

Santa Cruz é uma cidade com graves problemas de mobilidade urbana, porque cresce de forma pujante e admirável, mas revela que tem pouquíssimo pensamento antecipatório para minimizar os efeitos colaterais do crescimento antes que eles se tornem problemas recorrentes.

A falta de educação dos motoristas em nosso país é estarrecedor, e na região, assustador. Assim como a falta de preparo, ou de coragem, dos órgãos de trânsito locais. As instituições não dão suporte a quem paga seus impostos em dia, porque não querem “comprar a bronca”.

Sério?

Cidades pujantes precisam de cidadãos conscientes de instituições que não tem medo de fazer o que deve ser feito quando alguém infringe regras urbanas.

O estacionar indevidamente “só um pouquinho” virou algo “normal”. Não há respeito por vaga preferencial ou estacionamento privativo de prédios ou de estabelecimentos comerciais. A prática é invadir um espaço que está à disposição de clientes para resolver uma questão pessoal é extrema falta de educação, cidadã e social.

No futuro não será mais possível um carro por pessoa, nem estacionar na porta dos locais comerciais. Falta espaço e bom senso nas cidades que estão crescendo. Há preguiça de andar 100 metros, desrespeito a regras e uma inacreditável cara de pau.

Governos não planejam, empresas reclamam de todas as iniciativas, a cidade tem cada dia mais carros, o cidadão quer olhar para seu umbigo e o resto que se dane. Quem respeita todas as regras da boa convivência, fica sozinho e abandonado na luta por algo que deveria naturalmente um direito: o de ter seu espaço privado preservado de invasões indesejadas.

A falta de educação é uma falha de caráter. Conviver socialmente é entender que nosso direito acaba quando o do outro começa. Podemos tudo, mas não devemos qualquer coisa.  Deveríamos inventar um spray de bom senso, para ver se conseguimos fazer com que gente egoísta entenda que não está sozinha no planeta.

Escrevo este texto antes do resultado das eleições, mais uma oportunidade para se mostrar educação social. Eventos como este mostram quem é democrático de verdade e capaz de aceitar que não há verdade absoluta, partido ou candidato que mudará a realidade de um povo sem educação ou consciência. Respeito, pratique mais esta palavrinha.

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